Já foi anunciado: no dia 11 de janeiro de 2025, data que celebra os 40 anos da primeira apresentação dos Engenheiros do Hawaii, Humberto Gessinger, acompanhado pelos seus dois trios (Rafa Bisogno, Felipe Rotta – Power Trio; Fernando Peters e Paulinho Goulart – Trio Acústico), começa a “mini tour” dos Acústicos dos Engenheiros do Hawaii, o da MTV e do Novos Horizontes. Tudo começa em Porto Alegre.
Para saber mais, o Rock 80 Brasil entrou em contato com o Humberto Gessinger, que passou as informações de como será essa tour. Você está curioso? Ansioso? Confira a entrevista abaixo e já fica na torcida pra essa tour passar na sua cidade.
Rock 80 Brasil – Como surgiu a ideia de uma mini tour revisitando os acústicos MTV e Novos Horizontes?
Humberto Gessinger – Nos meus trabalhos recentes tenho gravado com dois trios, o power-trio e o trio acústico. Fiz belos shows Brasil afora onde os trios se sucediam no palco e, no bis, se juntavam num quinteto. Foi numa destas noites que me veio a ideia de fazer o repertório dos discos acústicos com esta formação. Agora chegou a hora. Por coincidência, 20 anos depois do lançamento do acústico MTV.
Rock 80 Brasil – Como esses dois acústicos dialogam? O Novos Horizontes pode ser entendido como uma continuação do MTV?
Humberto Gessinger – Mais que continuação: um aprofundamento. Acho o Novos Horizontes mais instigante por ter mais músicas inéditas e porque foi nele que comecei a tocar viola caipira. Ele também teve a vantagem de ter sido gravado depois de dois anos de tour acústica, um importante aprendizado. Obviamente, o MTV virou um clássico e eu gosto muito dele, mas acho que muita gente vai se ligar agora na força do Novos Horizontes.
Rock 80 Brasil – Incluindo os extras do Acústico MTV (De Fé e Eu Que Não Amo Você), ao todo são 20 canções neste álbum e 18 no Novos Horizontes. Como está sendo a escolha do set list?
Humberto Gessinger – Passei uma lista com 26 músicas pro pessoal. Por coincidência, 13 de cada disco. Recuperei algumas canções que não tenho tocado e vou dar um tempo em algumas que estão há muito tempo no setlist. Mas no fim são as músicas que se escalam pro jogo, como o jogador que se escala treinando bem. É fácil fazer tese sobre qualquer coisa, mas na hora H só fica de pé o que for verdadeiro.
O projeto vai virar “disco” e audiovisual com 2 inéditas. Sempre gravei inéditas nos trabalhos ao vivo, desde o Alívio Imediato. Acho importante mixar o que se fez no passado com o que se pretende do futuro. Uma das inéditas, vou gravar ao vivo com o quinteto. A outra (que é uma parceria com Chico César) vou gravar em Estocolmo, no mesmo estúdio onde gravei “Fevereiro 13”.
Rock 80 Brasil – As versões dos dois álbuns serão mantidas?
Humberto Gessinger – Elas serão o ponto de partida. Mas eu não posso nem quero ser um cover de mim mesmo. Outros músicos, outros tempos, deixarão suas marcas. Além disso, tô devendo pra mim mesmo uma versão acústica de Toda Forma de Poder” com a mesma harmonia da original. Um detalhe importante é que, em vez do órgão Hammond, teremos um Acordeon, o que pede um novo olhar.
Rock 80 Brasil – Como será a “distribuição” dos instrumentos na banda?
Humberto Gessinger – Eu vou tocar violão, bandolim, viola caipira, harmônica e piano. Rotta vai tocar violões de aço e nylon. Paulinho segue no acordeon. Nando no baixo; e Rafa na bateria. Na música inédita, eu vou tocar baixo enquanto Nando vai pro violão.

Rock 80 Brasil – A ideia é a tour somente em São Paulo, Rio, Florianópolis, Porto Alegre e BH? Ou a tour pode passar por outras cidades?
Humberto Gessinger – A ideia original era de uma pequena tour no início do ano. Acho que o show do 4CDUMR é o melhor da minha carreira. O telão mostrando detalhes que passavam despercebido aproximou muito o público da banda. Uma tour fantasticamente prazeirosa com uma formação madura. Eu pensava em retomá-la no segundo semestre, depois de passar um tempo em Estocolmo. Mas logo que comecei a trabalhar no projeto dos acústicos vi que ele é muito mais do que uma comemoração do que passou. Pelo repertório e pela construção lenta e criteriosa dos dois trios, é um projeto relevante aqui e agora. Merece fazer uma estrada mais longa. Vou seguir até o fim do ano.
Rock 80 Brasil – Os cenários foram icônicos na tour MTV. Eles serão utilizados?
Humberto Gessinger – Já fiz o design do painel de LED, muita coisa é baseada nos cenários originais, mas com a agilidade do formato digital. Juntar dois cenários tão diferentes em um único cenário físico não seria boa ideia. No digital, consigo enfatizar melhor as singularidades do projeto gráfico de cada disco e relacioná-las com as músicas de cada um.
Rock 80 Brasil – Você disse em uma entrevista que já estava planejando um novo disco de inéditas. Será depois da tour Acústicos?
Humberto Gessinger – Tenho algumas músicas prontas, mas às vezes demora para um conjunto de canções configurarem um disco. Não é algo que se possa forçar. A única certeza pra depois da tour dos acústicos é que seguirei compondo. Além de ser minha arte e meu ofício, é minha forma de tentar entender o mundo e a mim mesmo.
O que vai ser das canções, se vou levá-las pra estrada ou deixá-las na gaveta, é sempre uma questão em aberto. E é bom que seja. Depois de quarenta anos ininterruptos de estrada, é importante ficar atento pra saber a hora de parar pois às vezes a inércia se fantasia de movimento.











